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" ela apenas olhou para mim
e eu acho que foi a sua
primeira compreensão da
tragédia de ficarmos
juntos. "
it’s okay to ask for help

eu te amo mesmo não fazendo mais parte do teu show. e pela segunda vez, não é sobre você. é sobre como me sinto um lixo em relação a amar mesmo tendo todas as respostas pra odiar. como eu abro e fecho portas sem nem saber o que tem nesses lugares. sobre ta sempre voltado ao início das coisas sem sair do lugar. eu não sei quando que a gente deixa de amar ou quando a gente deixa de querer tanto algo que nos é limitado. eu não sei como faz pra não viver os dias em que até o sol chora pra sair do leste. eu ainda penso em não pensar. em esquecer. em pedir ajuda. (it’s okay to ask for help). mas não. eu só penso. meus dedos provocam um aborto antes mesmo que eu pense em escrever qualquer palavra sobre o que me acomete nesses dias. falei de você pro psiquiatra. ele pensa que você é um monstro que mora dentro de mim. com as mesmas garras de leão que eu disse que você portava. disse algo sobre você ser meu tendão de aquiles. e por um segundo ele não sabia o que tava dizendo. poucos sabem.
me sinto uma metamorfose de merda que nunca se conclui. nunca. uma meia metamorfose. nada pior que isso. uma filha desgraçada que nasceu mesmo com um tentativa de aborto. foi assim que você nasceu em mim. e eu tento te sufocar e acabo me sufocando ao longo desses dias. mas você criou resistência. muito mais do que as que se criam ao interromper os antibióticos. muito mais que as chances que deram a hitler pra se evitar uma segunda guerra. você cria mais vida mesmo se desbotando com o tempo. você adquire mais resistência. e mil focos são lançados na minha direção, e por buda, quase me cegam.
eu queria fugir pra algum lugar longe de mim e eu queria levar você. alguém que não cria tantos bloqueios com seu próprio eu. como eu. diferente de você. escrever que ainda sinto. mas não pra você saber. não pra você se enraizar ainda mais. não. mas é uma coragem filha da puta dizer que eu aceito o sofrimento desses dias. não por proust. e nem por você. talvez por mim. pelas minhas habilidades e competências futuras. vai passar. doeu não ser mais amada por você. ainda dói. mas calma. ninguém lambe a ferida de ninguém. não se deve chorar pelo leite derramado na calçada da esquina que eu chorei sozinha por não ter encontrado o caminho de casa. já é um começo. percebe que raul dita o fim antes do meio em gita? então. talvez o nosso fim esteja antes do meio e só.