> >
" O que eu queria mesmo
era escrever sobre as belezas da vida,
mas, vê, estou doente,
como Caeiro diria:
meus olhos parecem estar fechados,
meus ouvidos surdos e a cidade
se junta sempre contra mim.
Estou encurralado numa parede
e cercado por 4 milhões de habitantes
com armas apontadas para mim.
Mantenho minhas mãos para o alto.
Deus me livre de São Paulo.
Mas eu ando triste e solitário,
dando meus passos de cabeça baixa,
odiando aqueles que passam por mim
procurando defeitos em cada um deles
e se não encontro, bem, o defeito logicamente
é a falta de defeitos.
Estou doente, doente, satisfeito e calmo assim.
Mas sei que é errado, por isso reclamo.
Sei onde está a resposta, mas a solidão
quem me conforta e me impede de sair
desse mesmo lugar.
Sinto falta de pessoas antigas,
das que parecem nunca mais surgir.
Sinto medo da minha vida,
da sua direção e de todo o caos
que existe em cada decisão.
Eu moro agora em um apartamento.
Nunca pensei que o 11º andar fosse tão baixo.
A vista da minha janela dá para quatro prédios
e nenhuma rua.
Eu agradeço.
Algo me diz que é melhor assim. "